Quem nunca acreditou
naquela ideia romântica de que o amor resiste a tudo e que quem ama se
sacrifica pelo ser amado? É fácil jogar no outro a responsabilidade pela
relação, como se ele tivesse de suportar tudo o que acontece.
Alimentamos a crença de
que nosso parceiro sempre vai entender aceitar e perdoa as atitudes de
desrespeito ou quaisquer outras que possam abalar a relação.
Mas será mesmo que o amor
resiste a tudo? Até que ponto um relacionamento amoroso é capaz de aguentar?
O amor pode suportar
conflitos familiares, pessoais, ciúme, faltar de dinheiro, crises de ansiedade,
mas não pode suportar a indiferença e o desrespeito constante. É importante
entender que há um limite.
Um avião não pode levantar
voo se estiver carregando mais peso do que pode suportar. A terra tem seu
limite para suportar a seca, a chuva ou o desmatamento. Para tudo existe um
limite de resistência e, quando se exige demais, o risco de rompimento é
grande.
Com o amor não é
diferente. Ele também tem limites para os abusos e descasos que consegue
suportar. Casais que vivem permanentemente em crise, geral, estruturam suas
relações de forma tal que o peso das desqualificações é maior que a capacidade
das pessoas de se sentirem amadas. Muita gente acaba buscando, na relação a
dois, alguém que:
·
Esteja sempre
apto a proporcionar momentos de alegria e divertimento.
·
Seja compreensivo
com tudo o que acontece.
·
Resolva seus
problemas de falta de dinheiro.
·
Resolva suas
dificuldades no emprego, nos conflitos pessoais e familiares, ou em qualquer
outra questão.
No entanto, é ilusão
querer que seu companheiro dê tudo aquilo de que você necessita. Existem
amigos, irmãos, pais, colegas de trabalho, pessoas que também podem nos dar a
mão nos momentos difíceis, e é importante não sobrecarregar o relacionamento a
dois com problemas.
Cada um tem de assumir a
própria responsabilidade pelo tipo de pensamento e pelo estilo de vida que
estruturou. Para fazer o amor dar certo, precisamos ter consciência das nossas
limitações e aprender a resolvê-las sem culpar o outro.
De nada ajuda se você usar
seu companheiro como depósito dos lixos que acumulou durante a vida, e é muito
descaso jogar em cima de quem você ama a responsabilidade por seus problemas.
Ninguém é responsável
pelas insatisfações que cada um colecionou nas relações afetivas do outro. Cada
pessoa pode, e deve, tratar de recolher seus restos e estar limpo e inteiro
para viver uma relação construtiva, um par integrado gosta de se proteger e
cooperar mutuamente, mas isso não significa jogar nas costa do companheiro a
obrigação de resolver os problemas pessoais do outro.